10/23/2018 0h0
Conheça a sífilis
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O número de casos de sífilis entre adultos no Brasil subiu 27,8%, de 2016 para 2017. Os números de sífilis congênita triplicaram entre 2010 e 2016. Vale conhecer os riscos e a prevenção a esta doença sexualmente transmissível, por ocasião do Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, ocorrido em 20 de outubro.
    O médico clínico do Seconci-SP José Alfredo Penteado explica que a sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum. Se não for tratada, entre 2 e 40 anos após a infecção ela pode ocasionar danos irreversíveis no cérebro ou na medula, no nervo ótico, nos sistemas ósseo e cardiovascular e lesões cutâneas, podendo levar até à morte.
    “Por isso, é importante saber que a sífilis tem cura. Quando tratada logo no início, tem grande chance de não deixar sequelas”, ressalta o dr. Penteado.
    O contágio pode ocorrer na relação sexual; no momento do parto (de mãe para filho), e, de forma mais rara, em transfusão de sangue. “Após a contaminação, a doença se desenvolve em estágios: primário, secundário, latente e terciário”, explica o clínico. 
    Na sífilis primária, os sintomas se manifestam de 3 a 4 dias após o contágio, nas regiões bucal e genital, por feridas indolores que podem passar despercebidas. Mesmo sem tratamento, as feridas desaparecem após alguns dias e a bactéria fica dormente no organismo, causando a falsa sensação de cura.
    Na sequência, o paciente entra na fase secundária, que dura em média de 4 a 12 semanas. Aparecem manchas na pele em diferentes partes do corpo, caem cabelo e pelos das sobrancelhas. Depois, a doença entra em latência: a pessoa não apresenta sintomas, mas continua infectada. Se não for submetido a tratamento, o indivíduo entrará na fase terciária, a mais perigosa.
    O bebê infectado pode apresentar manchas na pele horas após o nascimento ou sequelas tardias, como má formação do céu da boca e o chamado nariz de sela – deformação nasal em que a parte superior do nariz é achatada. 
    Quando a gestante infectada não trata a sífilis, há grande probabilidade de ela ter o bebê prematuro ou natimorto. “É muito importante as mulheres realizarem o pré-natal e fazerem todos os exames solicitados pelo médico”, salienta o dr. Penteado.
    O tratamento é realizado à base de penicilina, mas dosagem e período vão depender da fase da doença.  “O contato com úlceras de uma pessoa que tenha sífilis pode levar à contaminação. Por isso, o uso do preservativo durante todo o ato sexual e a realização de exames anuais são as melhores formas de prevenção”, conclui.