4/24/2020 0h0
Cuide da saúde mental
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Cuide da saúde mental na quarentena

Com o isolamento social, lidar com a saúde mental tornou-se um desafio. Para o psiquiatra do Seconci-SP Clemente Soares Neto, é importante se estabelecer uma rotina, pois novas necessidades são impostas.
    “Nosso emocional se depara com uma nova situação, o que gera ansiedade. Ficar em casa, trabalhar, atender os filhos, estar atento a parentes e familiares, às vezes idosos com outras enfermidades, tudo isso exige demandas práticas e emocionais intensas”, explica o médico.
Conciliar o trabalho e a atenção às crianças pequenas demanda um esforço e comprometimento ainda maior. “É preciso se adaptar, criar maneiras de descontrair ludicamente os filhos, com linguagem acessível, além de prestar atenção ao sono e ao apetite. Tudo com muito afeto, pois também é uma situação atípica para as crianças, que podem sentir ainda mais essa mudança”.
    O isolamento pode piorar transtornos como depressão ou ansiedade, em pessoas que estavam estáveis. Segundo o dr. Clemente, “ajuda profissional médica ou psicológica será fundamental, ao lado de práticas alternativas como relaxamento, meditação, exercícios físicos, entre outros.”
    Para quem não se sente confortável em locais fechados ou sofre de claustrofobia, a recomendação é encontrar espaços e situações que diminuam essa sensação, mesmo que seja uma simples janela aberta.
    Segundo o médico, manter-se informado é muito importante, mas sem se submeter a um bombardeio de informações alarmistas. “Saber triar as notícias, suas fontes e inteirar-se em determinados horários do noticiário é uma forma de proteção, principalmente se você for ansioso, depressivo ou influenciável.”
    O dr. Clemente afirma que a quarentena também pode provocar mudanças positivas nos hábitos e na perspectiva de vida, desenvolvendo a capacidade de enxergar melhor o outro como igual, mesmo que em situação diferente, além da percepção de nossas próprias fragilidades. “Somos capazes de superar uma situação altamente aflitiva. Circunstâncias adversas, pessoais ou coletivas, agora ou em qualquer época, por mais difíceis que sejam, irão acabar”, complementa.