2/20/2021 0h0
Dependência Química
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Pandemia trouxe risco maior de dependência química

O consumo médio de bebidas alcoólicas por brasileiros acima de 15 anos é de 7,8 litros, acima da média mundial, de 6,4 litros, segundo a Organização Mundial da Saúde. Por ocasião do Dia Nacional de Combate às Drogas e Alcoolismo (20 de fevereiro), o dr. Clemente Soares Neto, psiquiatra do Seconci-SP, alerta para esta doença incurável que traz prejuízos de toda ordem.
    “Ainda não temos levantamentos oficiais, mas a pandemia do novo coronavírus certamente contribuiu para o aumento do consumo de álcool e drogas ilícitas. A ansiedade causada pelos riscos da Covid-19, a ociosidade e a maior permanência em casa são alguns dos componentes desse cenário explosivo, agravando este que é um dos maiores problemas de saúde pública no mundo”, afirma o médico.
    Ele destaca que o consumo de drogas, lícitas ou ilícitas, traz prejuízos socais, psicológicos, familiares e econômicos. “No contexto dos recursos financeiros, o impacto é muito significativo para a economia do país. O tratamento dos pacientes é longo, custoso e, muitas vezes, recorrente. Nessa conta entram os acidentes de trabalho e de trânsito, homicídios, suicídios e os casos de violência doméstica. A doença ainda acarreta baixa produtividade e pode levar ao desemprego.”
    O psiquiatra comenta que o usuário de álcool, sobretudo a mulher, é vítima de preconceito, sendo taxado de preguiçoso, vagabundo, sem caráter, quando na verdade trata-se de pessoa acometida de doença incurável que exige vigilância por toda a vida.
    “Há pacientes que ficaram longe do álcool por décadas, mas uma perda ou um acontecimento familiar até mesmo positivo os levou de volta ao hábito compulsório”, explica.
    A dependência tem múltiplas causas que envolvem gênero, condição física, emocional, o meio social e, em especial, a genética. “O sucesso do tratamento depende muito do apoio da família, porém o principal requisito é o paciente admitir a impotência diante das drogas e que necessita de ajuda, senão o tratamento é fadado ao fracasso.”
    O Seconci-SP dispõe de equipe de psiquiatras, que podem prescrever o tratamento mais indicado para cada caso. “No consultório, recebo pacientes que agendaram consulta diretamente com a psiquiatria ou foram encaminhados por outros médicos, pelo Serviço Social ou pelas empresas. Oferecemos tratamento também para os familiares, orientando-os sobre como lidar com o paciente e administrar os problemas decorrentes dessa convivência nociva, que podem gerar a codependência.”