9/30/2020 0h0
Doações de órgãos
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Doações de órgãos diminuíram na pandemia

De março a junho, o Sistema Nacional de Transplantes registrou queda de 43% no número de doações de órgãos, comparado ao mesmo período de 2019. Diversos fatores explicam o fato, de acordo com Flávia Augusto Lopes Sampaio, assistente social do Seconci-SP, por ocasião do Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos (27/9).
    Em março, nota técnica do Ministério da Saúde recomendou a suspensão dos transplantes de doadores vivos, como os de medula, rim e parte do fígado. A maioria dos leitos de UTI destinou-se ao tratamento da Covid-19. Adotaram-se critérios ainda mais rígidos para evitar contaminação nos transplantes. “Doadores com histórico de síndrome respiratória foram considerados não elegíveis”, explica Flávia.
    Ela acrescenta que a redução dos voos dificultou o transporte dos órgãos. A abordagem aos familiares também ficou prejudicada para obter a autorização da doação, e a demora do resultado do teste de Covid-19 dos possíveis doadores aumentou a resistência das famílias para autorizar a doação. Com o isolamento social, houve menos acidentes por morte encefálica por trauma, uma das principais causas de óbito dos doadores. 
    Desde então, segundo Flávia, houve uma retomada no número de doações, ainda tímida. “O Brasil é referência mundial na área de transplantes. Em números absolutos ficamos atrás apenas dos Estados Unidos e as cirurgias são feitas pelo SUS, garantindo acesso a toda população”.
    O Brasil adota protocolos rígidos e os critérios para o andamento da fila de pacientes elegíveis para receber transplante são eminentemente técnicos, como gravidade do caso, condição clínica e compatibilidade sanguínea e genética. A assistente social ressalta que cabe à família autorizar o transplante, mesmo que o paciente tenha manifestado em vida a vontade de doar órgãos. 
    O mesmo rigor é seguido para constatar a morte encefálica, cujos protocolos e procedimentos são determinados pelo Conselho Federal de Medicina. 

Conscientização
    Dados do Registro Brasileiro de Transplantes e Estatísticas de Transplantes indicaram que, no primeiro trimestre de 2019 mais 7.974 pacientes entraram para a lista e 806 faleceram enquanto aguardavam a cirurgia.
    “Precisamos muito da conscientização das pessoas, centenas ainda morrem na lista de espera aguardando um órgão. Ser um doador é um ato de amor, de empatia e é de suma importância que os familiares saibam desse desejo”, ressalta a assistente social.
    “Devemos reforçar também a importância da doação de sangue. Os hemocentros de todo o país sofreram as consequências negativas da pandemia da Covid-19. Porém eles estão seguindo medidas de segurança, que permitem que as pessoas doem sangue sem se expor a riscos, praticando este ato de responsabilidade social que salva vidas”, enfatiza Flávia.