1/12/2018 0h0
Entrevista com o presidente Haruo Ishikawa
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Entrevista do presidente do Seconci-SP, Haruo Ishikawa, ao assumir a presidência da entidade, em janeiro de 2018

Entre tantas áreas de interesse na construção civil, o que o motivou a se voluntariar para a presidência do Seconci-SP?

R.: A indústria da construção civil é a protagonista do desenvolvimento do país. Onde há escolas, hospitais, moradias, saneamento básico, estradas – aí a construção teve um papel fundamental. E quem faz tudo isso? Os trabalhadores. Eles são a base da atuação da nossa indústria. Precisam ser muito respeitados, bem cuidados e orientados a preservar sua saúde e a prevenir acidentes no canteiro de obras. Isto é essencial para a motivação e um fator indispensável para a produtividade.

Como foi a evolução do mercado de trabalho da construção nos últimos anos?

R.: A construção sofreu muito com a crise. Em setembro de 2014, o nosso setor empregava no país 3,6 milhões de trabalhadores com carteira assinada e 900 mil no Estado de São Paulo. Hoje estamos com 2,3 milhões no país e 680 mil no Estado. Perdemos muitos trabalhadores, qualificados e não-qualificados, e naturalmente esta situação de crise permanente abalou a todos. Felizmente, as empresas e o Seconci-SP não reduziram seus investimentos em saúde e segurança do trabalho. E os próprios trabalhadores ganharam mais consciência em relação à importância dos cuidados preventivos.

Como vê o cenário para este e os próximos anos?

R.: Creio que 2018 ainda será um ano difícil para o setor. O SindusCon-SP (Sindicato da Construção), onde exerço a Vice-Presidência de Relações Capital-Trabalho e Responsabilidade Social, previa há dois meses que o PIB da Construção em 2018 poderia crescer 2%, depois de três anos de quedas consecutivas. Agora em janeiro, a previsão mudou para algo no intervalo de crescimento de 1% e queda de 1%.

Será um ano ainda com poucas obras nos setores imobiliários e de infraestrutura. Alguma atividade mais acentuada deverá ter o segmento de habitação popular, graças ao prosseguimento do Programa Minha Casa, Minha Vida. Ainda é provável que os setores de reformas e autoconstrução aumentem um pouco sua atividade.

É provável que este cenário comece a mudar no último trimestre, quando acontecer a definição eleitoral. Isto deverá trazer mais confiança aos investidores, favorecendo contratos que se traduzirão em mais obras ao longo dos próximos anos. Pode ser também que as reformas, especialmente a da Previdência, sejam finalmente concretizadas, sinalizando um reequilíbrio futuro das contas públicas. Se isto acontecer, será muito bom para o país e a construção.

Quais serão as responsabilidades do Seconci-SP neste cenário?

R.: Este cenário indica uma tendência de retomada gradual do emprego na construção. Um novo contingente de trabalhadores irá se incorporando aos poucos ao setor, muitos deles sem experiência prévia nem conhecimento sobre os cuidados necessários para a preservação da saúde e da segurança do trabalho nos canteiros de obras.

Assim, o papel do Seconci-SP nas suas unidades próprias em todo o Estado de São Paulo será o de colaborar com as empresas para uma absorção segura desses novos trabalhadores, sem prejuízo dos cuidados com os que já estão empregados. Vamos incrementar nosso atendimento ambulatorial médico e odontológico, nossos exames complementares e os serviços sociais oferecidos, bem como nossas ações filantrópicas. E estaremos à disposição das empresas para o desenvolvimento dos programas de saúde e segurança exigidos pelas Normas Regulamentadoras, oferecendo também a elaboração de laudos e treinamentos.

Além disso, vamos auxiliar as empresas a se prepararem para atender as exigências do eSocial na área de medicina ocupacional e segurança do trabalho, que serão obrigatórias a partir de janeiro de 2019.

O Seconci-SP realizará mais ações nessa área?

R.: Outra novidade será o desenvolvimento de um estudo pelo nosso Iepac (Instituto de Ensino e Pesquisa Armênio Crestana) para a criação de indicadores sobre segurança do trabalho na construção, com vasto intercâmbio de experiências prevencionistas, visando a redução de acidentes e incidentes e o aumento da produtividade.

O Iepac também ampliará o uso da nova plataforma de Ensino à Distância. Neste momento, estamos usando o EAD para comprometer os fornecedores e prestadores de serviços da entidade com as posturas exigidas pelo nosso Código de Ética, que faz parte do Programa de Compliance implementado na gestão do presidente Sergio Porto.

O EAD também será utilizado para capacitar os médicos dos hospitais públicos sob nossa gestão, a como procederem para bem orientarem os médicos que lá estão realizando sua Residência.

Haverá alguma ação específica em relação aos trabalhadores das empresas subcontratadas pela indústria da construção?

R.: Este tema é muito importante para a construção e para o Seconci-SP. Veja, mesmo com uma boa recuperação do nosso setor, grande parte dos trabalhadores será empregada por empresas subcontratadas. A terceirização sempre foi legal na indústria da construção, de acordo com a CLT, e agora, depois da reforma trabalhista que entrou em vigor há dois meses, não há mais dúvida sobre essa legalidade.

Nossa intenção é trabalharmos de perto com essas empresas para poder conscientizá-las sobre seus deveres e direitos em relação à saúde e à segurança do trabalho de seus colaboradores. Muitas dessas empresas já são contribuintes do Seconci-SP, e nossa intenção é ampliarmos essa participação ainda mais.

Os trabalhadores das empresas terceirizadas devem ter os mesmos direitos e cuidados em SST que aqueles contratados diretamente pelas construtoras. Devemos atentar para isso não apenas por ser uma exigência legal, mas faz parte do escopo de responsabilidade social do Seconci-SP.

E como o Seconci-SP atuará na gestão das unidades da rede pública de saúde sob sua responsabilidade?

R.: Continuaremos perseguindo nossa meta, bem-sucedida, de oferecer permanentemente um atendimento de excelência aos usuários dessas unidades. Várias delas têm certificações de qualidade nacionais e internacionais, que certamente serão renovadas.

No primeiro semestre, vamos assumir a administração do AME São Vicente, em mais um serviço que o Seconci-SP prestará na parceria que mantém com o governo do Estado de São Paulo, desde 1998.