6/1/2016 0h0
Os vilões da epilepsia
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Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), até 2% da população mundial sofrem de epilepsia. Só no Brasil, estima-se três milhões de casos. Algumas atitudes são fundamentais para conviver melhor com a doença. “O mais importante é a adesão ao tratamento. O paciente epilético pode ter uma vida social normal, mas deve sempre tomar os medicamentos”, diz a neurologista do Seconci-SP, Vera Lúcia Gavioli.

Segundo a especialista, o sintoma da epilepsia é a crise epilética, definida como a ocorrência espontânea e transitória de sinais e/ou sintomas causada por uma atividade elétrica excessiva no cérebro, como se fosse um curto-circuito. “A epilepsia somente é considerada como uma doença do cérebro quando ocorrem mais de duas crises. Após o segundo episódio, há 70% de chance de haver novas ocorrências”, afirma Vera. De acordo com a médica, 10% da população pode ter uma crise epilética única, que não se repetirá.

Uma crise epilética também pode ser secundária ou provocada, por condições agudas e transitórias, tais como alterações sistêmicas, metabólicas (como diabetes) ou tóxicas (uso de álcool e drogas). “Nessas situações também não dizemos que o paciente seja portador de epilepsia”, diz Vera.

Existem vários tipos de crise epilética, dependendo dos locais cerebrais afetados. Mas todas são sempre de curta duração, em geral até dois minutos no máximo. Segundo a neurologista, é fundamental observar e listar os sintomas para que o médico possa identificar o tipo da crise e prescrever o tratamento mais adequado.  

Na construção

Vera enfatiza que a pessoa com epilepsia não está incapacitada para exercer atividades no setor da construção civil. Porém, é imprescindível que o trabalhador use os equipamentos de proteção individual (EPIs) e siga a conduta de segurança aplicada no seu local de trabalho, principalmente em relação à altura. De acordo com as leis brasileiras, a atividade profissional realmente proibida para esses pacientes é a que envolve direção de veículos profissionais. Entretanto, para cada caso é necessária a avaliação conjunta com o médico do trabalho.

“O tratamento da doença é feito essencialmente com medicação para controlar as crises. Porém, esses remédios devem ser tomados por longos períodos de tempo e o paciente não deve esquecer ou abandonar o tratamento, mesmo quando estiver bem controlado”, finaliza Vera.