9/10/2020 0h0
Setembro Amarelo
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Setembro Amarelo, prevenção ao suicídio

O Brasil registra cerca de 12 mil casos de suicídio por ano, e no mundo são mais de um milhão, segundo a Organização Mundial da Saúde. Aproveitando o Setembro Amarelo e o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio (10/9), a psiquiatra do Seconci-SP dra. Amara Alice Darros chama a atenção para este grave problema de saúde pública, a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, ficando atrás apenas dos acidentes de trânsito.
    De acordo com o Ministério da Saúde, 96,8% dos suicídios estão relacionados a transtornos mentais. O primeiro deles é a depressão, seguida do transtorno bipolar e do abuso de substâncias lícitas e ilícitas. “Ainda há um grande preconceito relacionado às doenças da mente e o estigma em procurar o psiquiatra, visto como ‘médico de louco’. Isso atrapalha a busca por ajuda. As pessoas deveriam ver as doenças de saúde mental como as demais, pois elas são tratáveis”, afirma a dra. Amara.
    Alguns fatores estressores como desemprego, separação conjugal, abusos físicos ou sexuais, conviver com doenças crônicas por um longo período e o tratamento de um câncer podem levar pessoas vulneráveis e mais fragilizadas a atentar contra a própria vida. “Este momento excepcional que estamos vivendo, em razão da pandemia da Covid-19, marcado pelo isolamento social, o medo de contrair a doença e as questões socioeconômicas advindas dessa crise mundial, também pode contribuir para esse quadro”, explica a psiquiatra.

Remédios e terapia
    Ela destaca que as pessoas não têm culpa por esses pensamentos negativos e ligados à morte. “Trata-se de um problema orgânico, são alterações biológicas, uma desregulação das funções psíquicas cerebrais. Algo que exige um tratamento complexo e delicado, associando muitas vezes a medicação com psicoterapia”, orienta.
Segundo a dra. Amara, nem sempre a pessoa apresenta um perfil triste e desmotivado, alguns não dão sinais claros de que estão em sofrimento. “Por isso é fundamental olhar o outro, ter empatia, se interessar pelas pessoas da sua convivência, seja um familiar, amigo ou colega de trabalho.”
    A especialista comenta que a construção civil paulista tem registrado poucos casos de suicídio entre seus trabalhadores, alguns tiraram a vida na própria obra.
    “Além dos colegas, os profissionais de liderança, como mestres de obras e os do setor de segurança, como técnicos e engenheiros devem ficar atentos a mudanças de comportamento de membros da equipe e, diante de um sinal de alerta, não ter medo de perguntar o que está acontecendo com a pessoa e se ela tem tido pensamentos de morte. Medidas preventivas e assistenciais podem ser tomadas para evitar um desfecho irreversível”, enfatiza.
    Ela acrescenta que o Seconci-SP dispõe de equipe médica preparada para identificar pacientes em sofrimento com problemas de saúde mental. “Muitos dos meus pacientes foram encaminhados por colegas de outras especialidades. Porém, seja qual for o caminho, o importante é superar qualquer tipo de preconceito e procurar ajuda psiquiátrica. O suicídio é um problema grave, mas que pode perfeitamente ser evitado”, finaliza.