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O Silêncio que Custa Caro: Rompendo a Barreira do Medo no Enquadramento PcD

O cumprimento do artigo 93 da Lei nº 8.213/91 continua sendo um dos maiores gargalos operacionais e jurídicos da gestão de RH no Brasil. A legislação exige que empresas com 100 ou mais empregados preencham de 2% a 5% de seus cargos com pessoas com deficiência (PcD) ou beneficiários reabilitados da Previdência Social.

Entretanto, uma análise aprofundada do cenário corporativo revela que o obstáculo principal para o atingimento das metas raramente é a escassez de profissionais no mercado. Frequentemente o obstáculo está ligado ao estigma e a falta de segurança psicológica, inibindo muitos colaboradores de declararem sua condição para a empresa.

 

O Fenômeno da Subnotificação Oculta

Dentro de quase toda grande organização, existe um grupo expressivo de colaboradores com condições médicas perfeitamente elegíveis para a cota PcD — como visão monocular, alguns casos de perda auditiva que atendem aos critérios legais ou determinadas sequelas ortopédicas que resultam em limitações funcionais. Contudo, muitos optam por não declarar suas condições.

O receio de encarar certas situações no ambiente de trabalho alimenta esse silêncio, como:

  • Enfrentar rótulos e preconceitos na equipe;

  • Perder oportunidades de promoção e crescimento;

  • Virar a primeira opção em listas de demissão ou corte de custos.

O resultado dessa barreira cultural é um passivo de cotas artificial que expõe a empresa a autos de infração, multas pesadas e prazos exíguos que os órgãos fiscalizadores impõem.

Leia também: Ministro do TST cita estudo do Seconci-SP sobre inclusão de PCDs como exemplar

Acessibilidade Atitudinal: Transformando o Laudo em Confiança

A resolução desse problema exige uma transição de postura: sair da mera cobrança burocrática e avançar para a Acessibilidade Atitudinal.

Quando o time de Gestão de Pessoas e a Medicina do Trabalho atuam de forma integrada, o colaborador deixa enxergar o laudo como rótulo e passa a compreendê-lo como um instrumento de proteção, pertencimento e adequação do posto de trabalho.

Atingir as metas de inclusão é perfeitamente possível quando a cultura corporativa se torna um terreno seguro para que o colaborador revele quem realmente é.

 

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