
Dor na face, tensão nos músculos da mastigação, dificuldade para movimentar a mandíbula e até cefaleia (dor de cabeça) podem fazer parte da rotina de pessoas com Disfunção Temporomandibular (DTM). Por se tratar de uma condição de origem multifatorial e com diferentes manifestações clínicas, seu manejo exige avaliação individualizada e uma abordagem integrada.
Com o objetivo de ampliar a assistência aos pacientes com dor orofacial, o Ambulatório da Dor do Seconci-SP passará a oferecer proximamente atendimento fisioterapêutico especializado para pacientes com DTM, com atenção especial aos componentes musculares e miofasciais relacionados à condição dolorosa. A proposta é oferecer uma abordagem conservadora, individualizada e alinhada às evidências científicas disponíveis.
DTM: uma condição que vai além da articulação
As Disfunções Temporomandibulares compreendem um conjunto de condições musculoesqueléticas e neuromusculares que podem envolver a articulação temporomandibular (ATM), os músculos da mastigação e outras estruturas do complexo craniofacial.
As manifestações clínicas são variadas e podem incluir dor na região mandibular e facial, dificuldade ou limitação para a abertura da boca, alterações nos movimentos mandibulares, ruídos articulares, sensação de tensão muscular e dor à palpação dos músculos mastigatórios. Alguns pacientes também podem apresentar cefaleia associada à DTM.
Nesse contexto, a avaliação clínica é fundamental para identificar os diferentes componentes da condição e estabelecer o diagnóstico diferencial. A diversidade de manifestações reforça a importância de uma abordagem que não se limite à articulação, mas considere também os músculos, a função mandibular e a interação com o complexo craniocervicofacial.
O papel da fisioterapia
A fisioterapia ocupa papel relevante no manejo conservador das DTM, especialmente nos quadros com importante componente muscular e miofascial. A intervenção pode contribuir para a redução da dor e da sensibilidade musculoesquelética, melhora da mobilidade, redução da sobrecarga muscular e recuperação da função mandibular.
No Ambulatório da Dor do Seconci-SP, o atendimento será individualizado e definido a partir dos achados da avaliação clínica, considerando as características e necessidades de cada paciente.
Como parte da avaliação complementar, será utilizada a termografia infravermelha, técnica não invasiva capaz de registrar a distribuição da temperatura na superfície corporal. No contexto das DTM, a análise dos padrões térmicos da face pode fornecer informações complementares sobre assimetrias entre regiões correspondentes e sobre a distribuição térmica de áreas relacionadas à musculatura mastigatória e à ATM. É importante destacar que a termografia não substitui a avaliação clínica nem os critérios diagnósticos específicos para DTM. Seu papel é complementar, fornecendo informações que devem ser interpretadas em conjunto com a história clínica, o exame físico e os demais achados do paciente.
Tratamento individualizado
Após a avaliação, o paciente poderá iniciar o tratamento fisioterapêutico, com utilização de recursos como dry needling (agulhamento a seco), fotobiomodulação (terapia a laser de baixa intensidade) e terapia manual, conforme indicação clínica.
O dry needling é uma técnica minimamente invasiva utilizada no manejo de alterações musculoesqueléticas. Nos pacientes com DTM com importante componente muscular, poderá ser empregado em músculos envolvidos na sintomatologia, como masseter e temporal, sempre de acordo com a avaliação individual e os objetivos terapêuticos estabelecidos.A fotobiomodulação será utilizada como recurso terapêutico complementar, podendo ser aplicada sobre tecidos musculares e articulares conforme as características clínicas e a indicação fisioterapêutica. A terapia manual também integra o protocolo de atendimento. As técnicas poderão ser direcionadas à musculatura mastigatória e às estruturas do complexo craniocervicomandibular, com o objetivo de reduzir a sensibilidade e a sobrecarga musculoesquelética, favorecer a mobilidade dos tecidos e contribuir para a recuperação da função mandibular.
Mais do que a aplicação isolada de técnicas, a proposta do atendimento é considerar a apresentação clínica de cada paciente e direcionar a intervenção para os principais fatores relacionados à dor e à limitação funcional.
Ampliando o cuidado em dor orofacial
A implantação do atendimento fisioterapêutico para pacientes com Disfunção Temporomandibular amplia a assistência especializada oferecida pelo Ambulatório da Dor do Seconci-SP às condições dolorosas musculoesqueléticas e orofaciais. A integração entre avaliação clínica, análise termográfica e recursos fisioterapêuticos como dry needling, fotobiomodulação e terapia manual permite uma abordagem individualizada, voltada não apenas à redução da dor, mas também à recuperação da função mandibular e à melhora da qualidade de vida. Para o paciente, isso significa ampliar as possibilidades de cuidado conservador. Para a assistência em saúde, representa fortalecer uma abordagem cada vez mais baseada na avaliação individual, na integração multiprofissional e nas melhores evidências científicas disponíveis.




