Pesquisar

Autistas requerem respeito e aceitação

Pessoas com o transtorno de autismo demandam respeito, aceitação social e adaptação, para que tenham seus direitos respeitados e uma vida digna em sociedade. A afirmação é de Ricardo de Andrade, psicólogo do Seconci-SP (Serviço Social da Construção), por ocasião da Campanha Abril Azul e do Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo (2 de abril).

Andrade explica que o autismo, conhecido como TEA (Transtorno do Espectro Autista), não é uma doença, mas um transtorno de desenvolvimento neurológico que compromete principalmente a comunicação e a interação social da pessoa, dificultando-lhe o estabelecimento de vínculos e a compreensão das regras sociais. Autistas podem ter a linguagem prejudicada ou uma linguagem própria, às vezes com falas repetitivas e desconexas. Podem também apresentar padrões rígidos de comportamento e dificuldade de alcançar um pensamento lúdico, prejudicando sua capacidade de brincar.

“A pessoa já nasce com o transtorno e pode apresentá-lo até os 3 anos de idade. Entretanto, algumas pessoas também podem obter o diagnóstico na vida adulta, em função de sintomas que escondam o autismo, por exemplo, uma grande timidez. De qualquer forma, a pessoa não deve se autodiagnosticar, pois somente equipes especializadas, com profissionais habilitados e preparados, são capazes de realizar o diagnóstico”, afirma.

De acordo com o psicólogo, o diagnóstico é fundamental e pode ajudar a desenvolver habilidades e potenciais da pessoa com autismo, melhorando sua qualidade de vida e a interação dela com a família e a comunidade.

Respeito e interação

As dificuldades de comunicação e interação dos autistas podem constranger as pessoas ao seu redor, que ficam sem saber como se relacionar com eles. Andrade recomenda que as pessoas não estimagtizem, observem, mostrem-se disponíveis mas deixando que o autista abra o espaço, e ofereçam ajuda e suporte. No ambiente de trabalho, deve-se observar, perguntar e conversar, tentando entender se a pessoa é mais reservada e em que momento ela se torna mais acessível.

O profissional também chama a atenção para a importância da criação, manutenção e fortalecimento de políticas públicas intersetoriais, para garantir os direitos das pessoas com autismo, e o cumprimento das leis que as protegem. E recomenda ações de respeito, como não estacionar em vagas de veículos reservadas para autistas, ou não sentar em bancos a eles destinados no transporte público.

Cuidando dos cuidadores

O psicólogo salienta a necessidade de os cuidadores de pessoas com autismo, principalmente as mães e outros familiares, lidarem com sentimentos como ansiedade, angústia e impotência.

“Mães, familiares e cuidadores estão expostos a intenso sofrimento. Por isso, é muito importante que sejam fortalecidos, busquem compartilhar com outras pessoas o cuidado com os autistas e não assumam esse cuidado sozinhos. Devem buscar redes de apoio e, se necessário, pedir ajuda profissional. Além de psicólogos, esta ajuda pode ser proporcionada por terapeutas ocupacionais, enfermeiros e médicos (como neurologistas e psiquiatras), e fonoaudiólogos. Todos esses profissionais também podem oferecer informações e esclarecer dúvidas às mães, familiares e cuidadores.”

Suporte aos autistas

Já o suporte às pessoas com autismo depende do grau de comprometimento neurológico. O DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) lista três níveis diferentes de TEA, determinados de acordo com a quantidade de suporte de que o indivíduo necessita. Eles são:

Nível 1: Requer suporte

As dificuldades de comunicação que uma pessoa com TEA nível 1 pode enfrentar incluem dificuldade em iniciar interações sociais, resposta atípica à interação social, diminuição do interesse em interações sociais em alguns casos, capacidade de falar frases claras e se comunicar, mas com dificuldade de manter uma conversa e fazer amigos. As dificuldades comportamentais que uma pessoa com TEA nível 1 pode enfrentar incluem comportamento inflexível que interfere no funcionamento geral em um ou mais contextos, dificuldade para alternar entre atividades e dificuldades de organização e planejamento, que podem afetar a independência.

Nível 2: Requer suporte substancial

Os problemas de comunicação que uma pessoa com TEA nível 2 pode enfrentar incluem dificuldades perceptíveis com habilidades de comunicação social verbal e não verbal, questões sociais aparentes apesar dos apoios em vigor, iniciação limitada de interação social, resposta reduzida às interações sociais, interações limitadas a interesses estreitos e diferenças mais significativas na comunicação não verbal. Os problemas comportamentais que uma pessoa com TEA nível 2 pode enfrentar incluem comportamento inflexível, dificuldade para lidar com a mudança, comportamentos restritos ou repetitivos que interferem no funcionamento diário, dificuldade em mudar o foco ou ação.

Nível 3: Requer muito suporte

Os problemas de comunicação que uma pessoa com TEA nível 3 pode enfrentar incluem dificuldades graves na comunicação social verbal e não verbal, iniciação muito limitada de interações sociais, resposta mínima à interação social de outros, usar poucas palavras e fala inteligível, métodos incomuns de atender às necessidades sociais e responder apenas a abordagens muito diretas. As dificuldades comportamentais que uma pessoa com TEA nível 3 pode enfrentar incluem comportamento inflexível, extrema dificuldade em lidar com a mudança, comportamentos restritos ou repetitivos que interferem significativamente no funcionamento em todas as áreas da vida, e experimentar grande angústia ao mudar o foco ou a atividade.

Compartilhe

Relacionados

Opções de privacidade