A importância de planos de emergência em casos de acidentes, e a escolha, uso, manutenção e destino das telas de proteção nos canteiros de obras foram os temas debatidos na 2ª Reunião Oline de 2026 do Comitê Permanente Regional do Estado de São Paulo (CPR-SP) da Norma Regulamentadora (NR) 18, em 10 de março.
Atendimento rápido
O engenheiro de segurança e do trabalho e agente de fiscalização sanitária Daniel Sanches mostrou em sua apresentação a importância de se prever planos de emergência bem estruturados, para atendimento rápido e eficiente em acidentes nas obras.
De acordo com Sanches, plano de emergência não é um documento copiado, uma pasta encostada ou um postite com um número de telefone. Um bom plano requer organização e responsabilidade, treinamento prático e simulações de emergências. Desta forma, permite atendimento rápido em casos como incêndios, queda de alturas, soterramentos, choque elétrico ou tombamento de equipamento.
Para a elaboração destes planos, devem-se identificar os cenários críticos, lembrando que a emergência muda conforme cada fase da obra. O segundo passo é definir claramente as responsabilidades numa emergência: quem deve ser acionado, quem presta os primeiros socorros, em que situações o acidentado deve receber socorro externo.
O engenheiro enumerou alguns recursos minimamente necessários, como brigadistas treinados, kits de primeiros socorros adequados, prancha rígida com dispositivos para imobilização da vítima, extintores de incêndio corretamente dimensionados e ponto de encontro sinalizado.
Sanches salientou a importância de cada obra dispor destes planos e não depender exclusivamente do poder público, devido a fatores como trânsito pesado e acesso difícil à obra que podem retardar os primeiros socorros. Lembrou ainda que a omissão na empresa em proporcionar respostas rápidas nos casos de acidentes pode configurar culpa da organização, falha no dever de cuidar e agravamento dos danos causados.
De acordo com o palestrante, emergências são previsíveis e respostas precisam ser treinada, pois a responsabilidade começa dentro da obra “O melhor plano de emergência é aquele que nunca precisa ser usado. Mas se precisar, ele já foi treinado”, concluiu.
Telas de proteção
André Machado da Silva, diretor da Perame Telas, enfatizou em sua apresentação o que deve ser levado em conta em relação à escolha, uso e manutenção das telas de proteção.
Machado da Silva discorreu sobre a necessidade de se exigir a ficha técnica do fabricante, e falou sobre os tipos de tela (mosquiteiro e fachadeira), destacando a importância de reforço lateral para a costura dos panos.
Alertou que a instalação da tela de fachada cobrindo toda a periferia do prédio faz essa tela funcionar aerodinamicamente como uma grande vela de barco, onde a pressão do vento se acumula. Isto pode aumentar muito a pressão horizontal na fachada, deformar o sistema de suporte, romper fixações e rasgar ou arrancar trechos inteiros da tela.
Para a escolha do produto, prosseguiu, é preciso levar em conta a altura da torre, o relevo e a vizinhança para determinar a densidade do pano.
Machado da Silva indicou a leitura da Recomendação Técnica de Procedimentos (RTP) 01 da ABNT. De acordo com o texto, uma boa tela deve conter pequenos objetos e detritos, reduzir o risco de projeção de materiais e proteger trabalhadores e pedestres.
Ele mostrou ainda os cuidados a serem tomados na instalação, ascensão e retirada das telas, as ascensionais, o SLQA (Sistema Limitador de Queda em Altura), as telas de proteção de guarda-corpo, o Sistema S para proteger edificações vizinhas e pedestres, o prolongador de bandejas e as fitas de ancoragem.
O evento foi aberto e coordenado por José Bassili, gerente de SESMT Corporativo do Seconci-SP (Serviço Social da Construção); Antonio Pereira, auditor fiscal do Trabalho e coordenador do Projeto da Construção da Seção de Segurança e Saúde no Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho no Estado de São Paulo; e Marcos Antonio de Almeida Ribeiro, vice-presidente do Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho no Estado de São Paulo.







