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Parar de fumar requer determinação

Pessoa descartando um cigarro para representar o combate ao tabagismo e a conscientização sobre os riscos do fumo.
Imagem sobre conscientização contra o tabagismo destacando os riscos do cigarro, vape e narguilé e a importância de abandonar o vício.

“O tabagista deve sempre tentar parar de fumar. Quanto mais insistir, mais chances terá de largar o cigarro. Mas, para dar certo, a pessoa precisa estar determinada.” As recomendações são da dra. Marice Ashidani, pneumologista do Seconci-SP, por ocasião do Dia Mundial sem Tabaco (31 de maio).

O tema da campanha neste ano é “Desmascarando a Indústria do Tabaco”, com foco nas estratégias da indústria de tabaco para conseguir novos usuários, principalmente entre os jovens. “Apesar da redução do tabagismo nas últimas décadas, a indústria mantém oferta de produtos, com embalagens atraentes, mais modernas, com apelo tecnológico, promovidos como uma opção menos prejudicial ao cigarro”, alerta a dra. Marice.

A pneumologista assegura que o cigarro eletrônico (vape) e o narguilé não são melhores que o cigarro, também provocam doença pulmonares, aumentam o risco para cânceres, viciam igualmente e não ajudam a parar de fumar. “Podem ser a porta para o início do vício para outras substâncias, e seus efeitos a longo prazo ainda não são totalmente conhecidos”, afirma a pneumologista.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o uso do tabaco é a causa de morte mais evitável em todo o mundo e responde pelo falecimento de 1 em cada 10 adultos. Fumar mata mais de 8 milhões de pessoas todos os anos, prejudica a saúde e destrói o meio ambiente, de acordo com a OMS.

A dra. Marice afirma que deixar de fumar sempre traz ganhos para a saúde, mesmo que a pessoa tenha sido tabagista por muitos anos. “É preciso que o médico avalie o grau de dependência de cada caso individualmente. Há aqueles que conseguem deixar de fumar somente com a força de vontade. Para amenizar os sintomas da abstinência, algumas pessoas necessitarão de reposição da nicotina por adesivo ou goma, gradualmente reduzida ao longo do tempo. Além disso, fumantes muito agitados podem necessitar de tratamento com antidepressivos, sempre com acompanhamento médico.”

É muito importante que o fumante reflita sobre os “gatilhos” que detonam o hábito de fumar, e como evitá-los. “Exemplos desses gatilhos são tomar café, concluir uma refeição ou ficar ansioso. “Quando a fissura aparece, ela dura alguns minutos naqueles que não são muito dependentes. Nesse tempo, o fumante deve fazer outra coisa, como tomar água gelada. Pouco depois, a fissura tenderá a desaparecer.”

Prevenindo a recaída

De acordo com a pneumologista, a recaída pode ocorrer mesmo muito tempo depois de a pessoa ter deixado a dependência. “Ela pode estar em uma viagem ou em uma festa e acender um cigarro, imaginando que isso não a fará voltar ao vício. É um autoengano, que poderá levar a uma recaída. Aí, precisará tentar novamente parar. A ajuda da família e dos amigos é fundamental, não fazendo terrorismo, mas sim com apoio.”

O tabagismo expõe os fumantes a 7 mil componentes químicos, causando cerca de 50 doenças diferentes. Ao fumar um único cigarro, a pessoa inala milhares de substâncias tóxicas, como monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído, acroleína e outras 43 cancerígenas, como arsênio, níquel, benzopireno, cádmio, chumbo e resíduos de agrotóxicos. “A temperatura da fumaça é outro elemento muito nocivo à saúde, inflamando os tecidos de toda a área das vias respiratórias”, comenta a dra. Marice.

A médica alerta que são igualmente prejudiciais o cigarro eletrônico, proibido no Brasil, e o narguilé, pois além da nicotina, contêm outras substâncias cujos efeitos ainda são desconhecidos.

“Os pais devem conversar com os filhos, falar dos malefícios físicos e psíquicos da droga, como dependência e risco de uso abusivo. E devem procurar identificar, junto com os filhos, as causas psicológicas e as formas de resistir ao cigarro”, recomenda a dra. Marice.

O Seconci-SP faz palestras nos canteiros de obras sobre a importância de parar de fumar e proporciona tratamento aos trabalhadores da construção civil e seus familiares que querem fazê-lo. Eles também podem buscar tratamento em centros de apoio da rede pública de saúde, que fornecem adesivos para a redução gradual da dependência de nicotina e, se necessário, medicamentos para a ansiedade.

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