Pesquisar

Dia Mundial da Obesidade: informação e cuidado são essenciais no enfrentamento da doença

Pessoa sobre a balança com fita métrica no chão, representando o cuidado e a conscientização sobre a obesidade

Fernanda Souza Holanda
Nutricionista, pós-graduada em Nutrição Clínica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

O Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, reforça a necessidade de ampliar o debate sobre uma doença crônica, progressiva e multifatorial, que cresce de forma acelerada no Brasil e no mundo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade está entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, hipertensão, alguns tipos de câncer e distúrbios do sono. Também impacta de maneira significativa a saúde mental, estando associada à ansiedade, depressão e baixa autoestima.

Caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, a obesidade é comumente diagnosticada por meio do Índice de Massa Corporal (IMC). Embora seja uma ferramenta amplamente utilizada, o IMC não avalia a distribuição da gordura corporal, o que torna importante associá-lo a outras medidas, como circunferência da cintura, para melhor estimativa do risco cardiovascular.

De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2025, o Brasil poderá alcançar cerca de 119 milhões de adultos com IMC elevado até 2030. Os números reforçam o alerta! É preciso adotar medidas efetivas, pois trata-se de um desafio que ultrapassa a esfera individual e exige ações integradas de prevenção, acesso à informação qualificada e acompanhamento profissional.

A nutrição tem papel central nesse processo! Planejamento alimentar readaptado sempre acompanhado por um profissional, uso de medicamentos específicos com acompanhamento diário de doses, e cirurgias bariátricas (somente com liberação médica) são as principais estratégias atuais para combater a obesidade. É preciso lembrar que o tratamento deve ser individualizado e multidisciplinar, além, claro, da clara mudança no estilo de vida, na prática regular de atividade física e em suporte emocional.

Contudo, estamos vivendo um problema nos últimos tempos dentro dessa temática preocupante. As chamadas “canetas emagrecedoras”, medicamentos injetáveis que têm sido um recurso corriqueiro do público para o tratamento da obesidade. Embora elas representem um avanço terapêutico, não substituem os hábitos saudáveis e não devem ser utilizadas com finalidade exclusivamente estética e em excesso.

O uso destes medicamentos sem registro ou aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), adquiridos por redes sociais ou no mercado ilícito, pode representar sérios riscos à saúde.  É fundamental não comprar medicamentos sem procedência, sem a orientação de um médico profissional e cuidado contínuo com a saúde corporal. Não são esses atalhos que irão trazer um resultado adequado, mas o caminho de um processo estruturado, seguro e individualizado. Buscar por resultados rápidos e soluções milagrosas pode comprometer a saúde. Combater a obesidade é promover saúde, qualidade de vida e bem-estar a longo prazo.

Compartilhe

Relacionados

Opções de privacidade