Por falta de informação, ainda há muito preconceito em relação às pessoas que têm epilepsia, caracterizada por crises epilépticas, que podem ser convulsões ou perda temporária da consciência (geralmente cerca de um minuto). A maioria dos pacientes pode viver longos períodos sem esses sintomas, por reagirem favoravelmente à medicação. Mas para tanto, não devem interromper o tratamento, que necessariamente será prolongado.
As informações são da dra. Vera Lúcia Xavier Gavioli, neurologista do Seconci-SP, por ocasião do Dia Internacional da Epilepsia (2ª segunda-feira de fevereiro, 8/2 neste 2026). A data visa conscientizar sobre essa condição neurológica, desmistificar preconceitos e educar a sociedade sobre as crises epilépticas, que afetam entre 1% e 2% da população mundial.
A dra. Vera explica que a epilepsia não é uma doença mental ou contagiosa. “Trata-se de um distúrbio neurológico crônico que afeta a atividade elétrica cerebral, fazendo os neurônios funcionarem de forma anormal e excessiva. Com isso, a pessoa perde a consciência e pode ter queda e convulsão, correndo o risco de se machucar”, diz.
De acordo com a neurologista, as causas podem variar, embora em muitos casos não se consiga identificá-las. “O feto e/ou o bebê podem sofrer falta de oxigênio, infecções pré-natais, más-formações congênitas do cérebro, alterações genéticas hereditárias. Jovens e adultos podem ter a epilepsia motivada por drogas, tumores cerebrais, traumas cranianos e infecções, como meningite, encefalite e neurocisticercose. Nos idosos, as causas costumam ser o AVC e as doenças degenerativas.”
O diagnóstico clínico é feito geralmente após duas ou mais crises não provocadas, com intervalo superior a 24 horas. São indicados exames complementares como o eletroencefalograma e um exame de imagem do crânio (como tomografia ou ressonância magnética) para tentar esclarecer origens e causas. O paciente deve atentar para alguns gatilhos que podem desencadear as crises: não dormir o suficiente, consumir álcool ou drogas, passar muitas horas sem se alimentar, estresse excessivo e flashes de luz no caso de epilepsia fotossensível. As crises também podem ocorrer sem motivo aparente.
Prevenção
Um dos principais cuidados preventivos é zelar pela saúde, realizando exercícios físicos para prevenção de AVC, além de sono e alimentação adequados. Gestantes devem ter acompanhamento médico pré-natal e no parto, para evitar infecções e falta de oxigênio no cérebro do bebê.
“Quando diagnosticada, a pessoa deve aderir permanentemente à medicação, sem interrupção. Para não se esquecer de tomar o anticonvulsionante no trabalho, por exemplo, é recomendável que programe o alarme do celular nos horários requeridos. Outra providência é usar capacetes e, no carro, cinto de segurança, além de medidas de segurança doméstica.
Nos casos em que a medicação não faz efeito, podem se adotar cirurgia para remover um foco epiléptico ou o implante de um dispositivo que reduz a frequência das crises. E às vezes, principalmente na infância, pode ser prescrita uma dieta chamada cetogênica (pobre em carboidratos e rica em gorduras).
Cuidados nas crises
Se uma pessoa ao seu lado entra em crise epiléptica, a dra. Vera recomenda virá-la de lado para que não engasgue com a saliva, e proteger a cabeça dela evitando que bata no chão. Não se deve puxar a língua da pessoa para fora nem colocar nada em sua boca.
“É muito importante que o acompanhante dessa pessoa fique calmo e conte o tempo de duração da crise. Isto é fundamental para o diagnóstico. Quando a crise passar, e a pessoa não souber que é epiléptica, deve-se levá-la para o Pronto Socorro e relatar detalhadamente o ocorrido. Já quem sabe ter a condição neurológica, não precisa ir ao PS, apenas repousar, observar a evolução e agendar consulta médica. Também é importante que a pessoa pergunte, aos que presenciaram a crise, o que exatamente ocorreu.”
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De acordo com a dra. Vera, não há motivo para preconceitos. “A epilepsia não é provocada por culpa da pessoa. Equivocam-se aqueles que pensam que o paciente não tenha se esforçado o suficiente para evitá-la, ou porque ele não tenha suficiente fé.”






